Carbono operacional no contexto dos Túneis de Drenagem de Lisboa
Durante a fase de exploração dos Túneis de Drenagem da Lisboa e das infraestruturas associadas, prevê-se a libertação de emissões de carbono para a atmosfera, sobretudo associadas ao consumo energético:
· À operação do sistema de drenagem e da bacia antipoluição;
· Dos equipamentos de bombagem da rede de água reciclada (Água+) prevista;
· Previsto durante atividades de manutenção, incluindo operações de limpeza e inspeções de rotina, com eventuais intervenções preventivas ou corretivas, em caso de deteção de anomalias.

Por outro lado, a entrada em operação dos túneis contribui para reduzir a vulnerabilidade e a exposição do território a episódios de inundação, minimizando os prejuízos materiais e os impactos socioeconómicos associados e, consequentemente, a necessidade de intervenções de reparação, reposição e reabilitação. Assim, espera-se uma redução das emissões de carbono em comparação com um cenário sem a infraestrutura.
Porque é relevante a sua quantificação?
Em alinhamento com o princípio europeu Do No Significant Harm (DNSH), o projeto deve assegurar a sua compatibilidade com os objetivos ambientais da União Europeia.
Face ao exposto, em particular no que se refere aos objetivos de mitigação e adaptação às alterações climáticas, é essencial avaliar o balanço de emissões ao longo do ciclo de vida do projeto, comparando as geradas durante as fases de implementação e exploração com as emissões evitadas pela redução dos danos das inundações (limpeza, reconstrução, entre outras) consequente da entrada em funcionamento dos túneis.
Qual o método de estimação das emissões operacionais?
Procurou-se quantificar o benefício líquido do projeto em termos de emissões ao longo de um horizonte de 100 anos, considerando diferentes cenários hidrológicos e climáticos, bem como a respetiva frequência de ocorrência.
Para o efeito, consideraram-se:
- Emissões operacionais de funcionamento do sistema:
Calculadas sobretudo com base no funcionamento da rede de água reciclada pressurizada, tendo em conta o número potência instalada e o tempo de funcionamento expectável dos equipamentos eletromecânicos de bombagem previstos.
- Emissões operacionais de manutenção do sistema:
Uma vez que os túneis apenas operam após eventos de precipitação significativa e apresentam características hidráulicas favoráveis à autolimpeza, as atividades de manutenção foram assumidas como pouco frequentes e de curta duração, resultando em emissões residuais.
- Emissões evitadas pela operação dos túneis:
Foram considerados apenas os danos diretos tangíveis, em particular os relacionados com edifícios e espaço público, incluindo infraestruturas rodoviárias, por serem das historicamente mais afetadas e representarem a fração predominante das emissões potenciais evitadas.
As áreas potencialmente beneficiadas foram identificadas de acordo com a vulnerabilidade à inundação e a tipologia do ambiente construído, estabelecendo-se a relação entre a profundidade da água e o nível de dano esperado, posteriormente convertido em emissões de carbono através de valores referência por grau de reparação/reabilitação e tipologia de infraestrutura/edifício.


Quais as constatações retiradas?
Em termos globais, a metodologia aplicada demonstrou que as emissões associadas ao funcionamento do sistema são residuais quando comparadas com as emissões evitadas pela redução dos impactes das inundações decorrentes da entrada em exploração dos túneis.
A análise aponta para uma redução acumulada de emissões que poderá atingir várias centenas de milhares de toneladas de CO₂ equivalente ao longo de 100 anos, evidenciando que os benefícios climáticos do projeto tendem a compensar largamente, ao longo das décadas, não apenas as emissões de exploração, mas também aquelas associadas à fase de construção (cujas emissões são elevadas pelo consumo significativo de energia e materiais), sendo o balanço global do projeto fortemente positivo.